Líder do golpe na Guiné, Mamady Doumbouya, vence eleição presidencial

Líder do golpe na Guiné, Mamady Doumbouya, vence eleição presidencial

O líder do golpe de Estado na Guiné, Mamady Doumbouya, foi eleito presidente do país, de acordo com resultados provisórios anunciados nesta terça-feira, marcando o retorno ao governo civil na nação da África Ocidental, rica em bauxita e minério de ferro.

Doumbouya, ex-comandante das forças especiais, assumiu o poder em 2021, após derrubar o então presidente Alpha Condé, que governava desde 2010. O golpe foi um dos nove registados na África Ocidental e Central desde 2020, que redesenharam o cenário político da região.

Segundo os resultados provisórios, Doumbouya obteve 86,72% dos votos nas eleições realizadas em 28 de dezembro, alcançando maioria absoluta e evitando a realização de um segundo turno. O Supremo Tribunal dispõe de oito dias para validar os resultados, caso haja impugnações.
A vitória de Doumbouya, que lhe garante um mandato de sete anos, era amplamente esperada. Os principais líderes da oposição, Alpha Condé e Cellou Dalein Diallo, encontram-se no exílio, o que deixou o vencedor a disputar a eleição com um grupo fragmentado de oito candidatos.

Doumbouya voltou atrás na promessa de não concorrer

A carta constitucional promulgada após o golpe impedia membros da junta militar de concorrerem às eleições. No entanto, uma nova constituição, que eliminou essas restrições, foi aprovada em referendo realizado em setembro.

A presidente da comissão eleitoral, Djenabou Touré, que anunciou os resultados na noite de terça-feira, informou que a participação eleitoral foi de 80,95%. Contudo, a afluência às urnas pareceu fraca na capital, Conacri, e políticos da oposição já haviam rejeitado números semelhantes divulgados durante o referendo constitucional.
Recursos naturais e nacionalismo econômico

A Guiné possui as maiores reservas de bauxita do mundo e abriga o depósito de minério de ferro Simandou, considerado o mais rico ainda inexplorado. A megamina foi oficialmente inaugurada no mês passado, após anos de atraso.

Doumbouya reivindica o mérito de ter impulsionado o projeto de Simandou e de garantir que o país se beneficie diretamente da sua exploração. Ainda este ano, o governo revogou a licença da Guinea Alumina Corporation, subsidiária da Emirates Global Aluminium, após uma disputa relacionada com a construção de uma refinaria, transferindo os ativos para uma empresa estatal.

Essa guinada em direção ao nacionalismo dos recursos naturais, observada também em países como Mali, Burkina Faso e Níger, contribuiu para o aumento da popularidade de Doumbouya, assim como a sua relativa juventude, num país onde a idade média da população é de cerca de 19 anos.

ONU denuncia restrições ao espaço político

Apesar da vitória eleitoral, o espaço político na Guiné permanece restrito, segundo organizações da sociedade civil, que acusam o governo de proibir protestos, limitar a liberdade de imprensa e restringir as atividades da oposição.

O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou na semana passada que o período de campanha foi “severamente restringido, marcado por intimidação de atores da oposição, desaparecimentos forçados aparentemente motivados politicamente e restrições à liberdade de imprensa”.

Na segunda-feira, a candidata da oposição Faya Lansana Millimono declarou, em conferência de imprensa, que a eleição foi marcada por “práticas fraudulentas sistemáticas” e que observadores foram impedidos de acompanhar os processos de votação e apuração.

O governo guineense não respondeu aos pedidos de comentário.

Fonte: (Reuters)

Redção:Betegb

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